A questão deve ser muito provavelmente universal mas a abordagem, neste caso, pretendo que seja local ou regional também porque é esta a realidade que conheço. O dilema de tentar definir e até diferenciar o que é Formação e o se entende por Competição no futebol juvenil tem-se arrastado na minha mente ao longo dos muitos anos que dedico a este magnífico desporto.

Estou plenamente convencido que existem dirigentes e treinadores que também se questionam sobre este aspecto e, inclusivamente tentam definir dentro do seu clube o que é uma coisa e o que é outra ou, mais especificamente, onde acaba uma e onde começa outra.

E é aqui que reside a questão fundamental: no futebol distrital poder-se-á definir clubes ‘Formadores’ ou ‘de Formação’ e clubes ‘Competidores’ ou de ‘Competição’? Ao longo dos anos, em muitas conversas com treinadores colegas meus e com dirigentes, verifico que as opiniões são similares quando se tenta determinar quais são os clubes que poderemos dizer que são de Formação e aqueles que não o são. Mas quando se pretende definir as características de cada um deles, aí as opiniões diferem. Na minha opinião, essas disparidades acontecem porque cada um tem uma ideia sobre o que entende por Formação e Competição.

Vejamos algumas dessas opiniões (o próprio leitor, provavelmente poderá identificar-se com qualquer uma delas, ou não…).

  • Uns definem que, no seu clube, a formação acontece até aos Infantis Sub-12 e a partir daí será competição pois também é até aí que na sua Associação não se definem qualquer tipo de classificação. Interessante esta opinião quando são mesmos estes que acabam por fazer a classificação da sua equipa, por exemplo, no site do zero.pt;
  • Outros referem que no seu clube a formação acontece até aos Infantis Sub-13 e a partir daí será competição. A explicação, segundo eles, é o facto de ser a passagem do futebol 7 para futebol 11;
  • Outros ainda definem que a Formação se faz no futebol 7 e nas chamadas equipas B que servem de ‘Formação’ de jogadores para as equipas A;
  • Por outro lado, há clubes em que a Formação é até à última etapa Juvenil ou seja, os Juniores e que nos Seniores é onde está a Competição propriamente dita;
  • Por fim, há ainda outros que simplesmente optam por não ter equipa sénior, dessa forma não há Competição mas só Formação.

Nesta questão identifico inúmeros factores que influenciam a nossa opinião. O que deveremos fazer é limitar esses factores. E poderemos começar desde logo por conhecer a realidade e a história do clube onde estamos a exercer o nosso trabalho e por tentar saber junto dos dirigentes do clube ou de quem realmente ‘manda’, qual ou quais os objectivos do clube: Formar? Competir? Os dois?

Depois dessa etapa será importante definir outras coisas mais específicas. Só para dar alguns exemplos: a partir de que escalão o grau de exigência (muito subjectivo) deverá ser maior; a definição de regras de utilização dos jogadores; a definição do número de atletas que vão a jogo e que jogam (já vi jogos em que as equipas levavam 14 atletas e só jogaram oito); a definição do perfil do treinador de uma equipa de Formação e de Competição, porque devem ser diferentes; definir limites à dita ‘campionite’, etc.

Renato Fernandes
Treinador e Professor da Escola Superior de Desporto de Rio Maior