Quando falamos de stress ou ansiedade no desporto, referimo-nos sempre aos atletas, treinadores e até, por vezes, aos dirigentes e só muito depois nos lembramos dos árbitros. Os árbitros são dos agentes desportivos que sofrem mais de stress e ansiedade. A sua tomada de decisão não pode voltar atrás nem tem um próximo momento para melhorar ou alterar a sua posição. O que decidir está decidido mesmo que passado milésimos de segundo se aperceba que está errado. Em teoria. ele pode voltar atrás com a sua decisão, mas na verdade isso raramente ou quase nunca acontece. Aquilo a que na gíria se chama de “pressão”, é o que em psicologia se chamam de níveis de ansiedade, que aumentam consoante a noção de perigo. Se o jogo for muito importante, se as equipas forem de topo, se a imprensa der demasiada importância a esse evento, tudo isto faz com que a ansiedade aumente. Na verdade, muito destes pormenores contam para o desempenho do árbitro da partida. Sentir que não se pode falhar, elevando isso a um pensamento constante pode provocar o tal stress competitivo. Não é só o jogador que marca o penalti que sofre de stress ou ansiedade, o árbitro quando decide dar o segundo amarelo ou marcar um penalti, uma bola dentro ou fora também sofre de ansiedade.

A minha grande questão é: como ajudar os árbitros a diminuir os seus níveis de ansiedade e, claro, a falhar cada vez menos à verdade?

Na realidade, pode-se trabalhar competências psicológicas ao nível dos aspectos da arbitragem, ensinando os árbitros a gerirem melhor os seus níveis de ansiedade. Mas isso não chega, pois podem continuar a falhar.

Na minha opinião e em comparação com o que já se faz em algumas modalidades (rugby e ténis) devíamos estender os “vídeo –árbitros” a muitas outras, assegurando assim um porto seguro aos árbitros e evitando tanta mentira e “aldrabice” na verdade desportiva.

É tão importante saber se um jogador caiu porque foi tocado ou se simplesmente se atirou para ludibriar o colega que está a apitar o jogo.

Avançámos tanto na tecnologia, com novas bolas, novos equipamentos, mas esquecemo-nos do mais importante, os valores morais e sociais que devíamos aprender com o desporto. Usar as imagens no auxílio de uma boa e eficaz arbitragem parece-me um passo importante para o futuro.

Ricardo Cardoso
Psicólogo
Curso de pós-graduação em psicologia desportiva e do treino – Vigo, Espanha