Enquanto a maior parte das pessoas está neste momento em plenas férias de Verão, descansando e usufruindo dos belos dias de sol que o nosso país oferece, os treinadores e, mais especificamente os de futebol de formação, estão neste momento numa fase de extrema reflexão e trabalho, preparando a sua época desportiva.

A preparação do início de época é composta por uma multiplicidade de ações que são fundamentais para o futuro da equipa e que a podem condicionar de forma evidente. É sabido que cada treinador terá que lidar com aspetos diferentes isto porque uns mudam de clube, outros de escalão, outros simplesmente têm grandes alterações no seu plantel. Seja como for, apresento de seguida alguns aspetos, que, na minha opinião, se devem ter em conta e que devem ser objeto de análise cuidada na preparação do início de época.

Preparação do início de época:

  • Quando o treinador vai para um novo clube, deveria, antes de qualquer ação, tentar conhecer as características e dinâmicas do clube e a sua representatividade na região.
  • Quando um treinador muda de escalão deveria, com a ajuda de fontes bibliográficas e não só, de pesquisar quais as características físicas e psicológicas dessa faixa etária.
  • Realização de uma ou mais reuniões com a direção ou alguém que a represente (por exemplo: coordenador técnico) no sentido de ficarem bem definidos quais são os objetivos de época, e quais as condições de treino, instalações e recursos humanos que oferecem para ajudar na concretização desses objetivos.
  • Realização de uma ou mais reuniões com diretores de escalão no sentido de definir bem as tarefas e missões de cada um.
  • Realização de uma ou mais reuniões com os treinador(es) adjunto(s) definindo missões e tarefas de cada um e em cada momento do treino e competição, bem como estratégias de comunicação a adotar.

Durante o início da época:

  • Definir regras para a equipa. Estas regras devem ser apresentadas logo no primeiro treino e manter-se-ão até ao final da época. Incluem-se aqui as regras de balneário, vestuário, regras de conduta, etc. Podem ser complementadas com o regulamento interno do clube.
  • Ter atenção aos atletas novos que vêm para o escalão. Aqui incluem-se os atletas novos no clube e/ou atletas novos no escalão. Seja como for, todos eles vão entrar num ambiente novo e desconhecido e dessa forma alerto os treinadores no sentido de darem mais atenção às atitudes destes atletas e devem ajudá-los a integrarem-se no grupo o mais rapidamente possível adotando estratégias simples e eficientes. Não é de estranhar que esses atletas demorem mais a mostrar aquilo que verdadeiramente valem.
  • Fazer uma análise cuidada da predisposição dos atletas e das suas atitudes perante o treinador tendo em conta os seus antecedentes no futebol. Por exemplo:
  • Atletas que vêm de equipas com outros treinadores com hábitos antigos ou diferentes deve-se ter atenção às suas atitudes que por vezes não contribuem para o bom ambiente no grupo de trabalho;
  • Ou quando vêm de outros clubes mais competitivos e passam para outros menos competitivos devendo aqui o treinador lidar de uma forma quase protetora no sentido de fazer perceber o atleta que ele é importante na sua equipa;
  • Ou então ao contrário, em que os atletas podem não se conseguir adaptar ao clube porque vieram de equipas de menor qualidade e lá “eram os maiores e agora são só mais um”.
  • Planeamento dos primeiros microciclos: preparatórios para conhecer o plantel, preparatórios para trabalhar o Modelo de Jogo e só depois definir o primeiro competitivo, obviamente antes do primeiro jogo oficial.
  • Depois de bem conhecidos os atletas (2 a 4 semanas) deve ser definido e apresentado o Modelo de Jogo aos atletas. As formas de apresentação variam conforme as faixas etárias e os níveis competitivos.
  • Definição dos capitães de equipa: por ser um tema de extrema importância e que por isso deve obedecer a uma reflexão mais cuidada, deixarei este aspeto para ser analisado na próxima crónica.

Renato Fernandes – Treinador e professor da ESDRM