As recentes investigações sobre aprendizagem têm sido centradas na questão da capacidade cognitiva/intelectual e a capacidade física/motricidade. Os estudos sobre o cérebro têm vindo a descobrir que se pode desenvolver intervenções que permitam diminuir o tempo de treino como também melhorar o rendimento motor, da tomada de decisão e intelectual.

Através da estimulação cognitiva, obtêm-se resultados que, somados com a prática física, maximizam determinadas respostas motoras, uma vez que os movimentos não são controlados unicamente por programas motores, mas também por mecanismos de funções cognitivas, sendo que estes são esquecidos muitas vezes pela maioria dos treinadores.

Isto é, muitas vezes é importante antes do treino fazer perceber o desenvolvimento do exercícios e explorar intelectualmente se todos os atletas aprenderam e conseguiram projectar através da sua imaginação aquilo que está programado para o treino. Será muito mais fácil de aprender desta forma, pois, como já disse, a capacidade motora e de habilidade psicomotora, está relacionada com a capacidade do nosso cérebro tem em mandar o nosso corpo fazer.

No que diz respeito à parte da intelectual, o processo evolutivo fez aumentar significativamente os circuitos neurais que podem ser modificados pela experiência, através de um fenómeno denominado plasticidade neural. Podemos então perceber que se, por exemplo, treinarmos os nossos atletas no âmbito da observação dos outros (mais evoluídos, exemplos bem construídos para aquilo que pretendemos em termos de aprendizagem), podemos ter maior rendimento, pois o nosso cérebro é capaz de aprender através da observação, moldando-se assim em termos intelectuais.

Estudos revelam que o trabalho de imaginação dos movimentos e das actividades, estimulam na mesma o cérebro e os músculos. Neste sentido, aconselho sempre os treinadores a fazerem uma brincadeira com os seus atletas, antes e no início do treino. No início do treino é pedido aos atletas que descrevam a marcação de um penalti numa final, pedindo para dizerem o que estavam a pensar antes de rematar e caracterizando todos os seus movimentos e o lado para onde remataram e se marcaram ou não. No final do treino faz-se o exercício na realidade. E, claro, o mais giro é perceber que a grande maioria, remata para o mesmo lado que descreveu antes, que pensa exactamente o mesmo e que, na sua grande maioria, os que descreveram terem falhado o penalti, voltam a ser fracassados.

Sem dúvida que o pensamento é muito importante na aprendizagem motora. Busca-se hoje pesquisar com maior consistência uma nova visão de aprendizagem motora, associado àquele fenómeno, com base nas funções bio-operacionais do sistema nervoso e em vista das possibilidades que se fazem presente no nosso dia-a-dia.

Ricardo Cardoso – Psicólogo