Muitos anos depois, o Estádio Municipal de Leiria voltou a receber uma equipa da I Liga, mas o Boavista não quis entrar em festas e desde cedo resolveu um jogo que se adivinhava difícil na estreia de Miguel Leal no comando técnico dos axadrezados. Depois de ter afastado o Portimonense (II Liga), a UD Leiria surgiu  na tarde de sábado com aspirações de protagonizar uma surpresa, mas em apenas 16 minutos o jogo ficou resolvido.

O jogo começou como seria de esperar, ou seja, com o Boavista a assumir as despesas do jogo perante uma UD Leiria a jogar na expectativa para tentar aproveitar os contra-ataques para causar perigo. Contudo, a estratégia leiriense caiu por terra na primeira vez que os axadrezados chegaram com perigo junto da baliza contrária: após boa jogada de combinação, Iuri Medeiros apareceu em zona privilegiada e quando tentou fazer um passe morte para a boca da baliza, apareceu o desvio de Tomas Rukas para a própria baliza (9’).

A UD Leiria pareceu algo afectada com o golo madrugador, mas o cenário ficou ainda pior quando o Boavista fez o 0-2 na sequência de um canto apontado por Carraça com Lucas a saltar mais alto do que os adversários a cabecear para o golo, num lance em que o guarda-redes Wilson poderia ter feito mais.

A conjunto do Lis tentou responder de imediato e esteve muito perto do golo quando Kaká encheu o pé e viu o seu remate bater caprichosamente no travessão da baliza de Aghayev.

A partir daqui a UD Leiria ‘cresceu’ no jogo, aproveitando o facto dos axadrezados terem tirado o pé do acelerador fruto da vantagem confortável, contudo, o melhor que os leirienses conseguiram foi criar algum perigo em lances de bola parada e em remates de longa distância.

Perto do intervalo, a missão da UD Leiria tornou-se ainda mais complicada quando Ernest viu o vermelho directo após uma disputa de bola com Henrique, com o árbitro a considerar ter havido agressão, numa decisão exagerada.

Na segunda parte pertenceu à UD Leiria o primeiro lance de perigo através de um remate cruzado de André Azevedo que obrigou Agahyev a defesa apertada. No minuto seguinte, na sequência de um canto, foi Tomas Rukas quem obrigou o guarda-redes axadrezado a voar para impedir o golo.

Mesmo em inferioridade numérica a UD Leiria demonstrou maior predisposição para atacar, perante um Boavista que apresentava um futebol lento, baseado sobretudo na posse de bola e na gestão do tempo, sem nunca forçar o ritmo.

Assim, o perigo andou sempre arredado de ambas as balizas pelo que o jogo encaminhou-se penosamente para o apito final, sem que a UD Leiria conseguisse fazer o golo de honra que, diga-se de passagem, bem o merecia pela entrega ao jogo e por nunca ter baixado os braços.

Arbitragem sem grandes problemas de Manuel Oliveira, tendo pecado apenas no excesso de zelo na expulsão de Ernest.

UD Leiria        0
Wilson, Filipe Brigues, Tomas Rukas, Anilton Junior (c), Kaká, Tony Correia, Fábio Pereira (João Coimbra, 83′), Éder Diego (Afonso Caetano 75′), André Azevedo, Ernest, Jorginho (Serge Kevyn, 64′).
Não jogaram: Ricardo Neves, Denis, Pepo, Amessan.
Treinador: Nuno Kata.

Boavista FC        2
Kamran Aghayev, Mesquita, Lucas, Henrique, Talocha, Idris (c) (Tengarrinha, 84′), Carraça, Fábio Espinho, Iuri Medeiros, Bukia (Renato Santos, 66′), Erivelto (Shembri, 72′).
Não jogaram: Meira, Anderson Carvalho, Digas, Philipe Sampaio.
Treinador: Miguel Leal.

Estádio Municipal de Leiria
Árbitro: Manuel Oliveira (Porto). Auxiliares: Pedro Ribeiro e Tiago Leandro.
Espectadores: 500. Ao intervalo: 0-2.
Golos: 0-1 Tomas Rukas (9′, a.g.), 0-2 Lucas (16′)
Disciplina: Amarelo a Ernest (35′), Carraça (52′), Henrique (57′), Fábio Espinho (84′), Mesquita (90+1′). Vermelho directo a Ernest (40′).

Texto: José Roque – Diário de Leiria
Foto: Luis Filipe Coito