O plantel da UD Leiria viveu ontem um dia diferente. Em pleno arranque dos treinos de pré-época, os homens comandados por Rui Amorim foram até ao Regimento de Artilharia de Leiria n.º 4 (RAL 4) onde levaram uma ‘tareia’ dos militares portugueses.

Da parte da manhã e ao início da tarde houve palestras, mas foi da parte da tarde que os militares colocaram os jogadores leirienses em ‘sentido’, levando–os para o campo de obstáculos. Aí, apesar da boa disposição e da brincadeira generalizada, o esforço físico e o Sol abrasador começaram a ‘moer’ o corpo de jogadores que só há poucos dias é que começaram os trabalhos que visam a preparação para a próxima época. Apesar da carga física, os sorrisos nunca largaram a cara dos jogadores, com o objectivo final a ser conseguido: criar um grupo de trabalho mais unido.

“O objectivo, acima de tudo, é fomentar a coesão de grupo, a gestão de conflitos, ouvir e trabalhar em equipa tendo em conta a superação de obstáculos e de entre-ajuda, visto que estamos a forma um grupo novo”, salientou o técnico da UD Leiria, Rui Amorim.

Segundo o responsável, este é um dia que os jogadores jamais esquecerão. “Isto [este tipo de exercícios] é algo que costumo fazer todas as épocas, mas é a primeira vez que consigo vir a um regimento militar. Não tenho dúvidas nenhumas que os jogadores, durante a época, se vão lembrar deste dia”, frisou.

No campo de obstáculos, os militares não pouparam os seus novos ‘recrutas’, tendo realizado vários exercícios cujo objectivo foi criar laços de companheirismo. Uns com mais facilidade do que outros lá foram transpondo os obstáculos, com os jogadores a entrarem no espírito dos jogos e exercícios propostos.

“De manhã houve uma abordagem teórica do que é o trabalho de equipa, o que é a liderança, a motivação e o papel que cada um tem na equipa. Depois falámos do que é que a equipa tem que fazer para cumprir os objectivos e também cada grupo estabeleceu objectivos pessoais. Lancei o desafio de que o objectivo da época fosse escrito numa tarja e que a colocassem no balneário para se lembrarem que, sempre que as coisas corram menos bem, eles tinham que orientar-se para atingir aquele objectivo. Se esse objectivo for conseguido, é mais certo que também os objectivos pessoais sejam atingidos.”, explicou o major Sousa Rosa, da Escola de Sargentos do Exército (Caldas da Rainha), acrescentando que “o todo é mais importante que qualquer uma das partes”.

“Sozinhos vamos mais depressa, mas juntos vamos mais longe. Foi esta a mensagem que tentámos passar”, vincou o oficial, adiantando ainda que os exercícios físicos enquadram-se numa estratégia de “dinâmica de grupo, descontraída, para provocar sensação de cansaço, stress e a necessidade de ultrapassar obstáculos com a ajuda do outro”.

“Esta foi também uma oportunidade para se conhecerem melhor, porque só conhecendo quem têm ao lado e que se podem ajudar mutuamente. Ser­ve para quebrar um bocado o gelo e é isso que se pretende com a parte prática”, conclui o major.|

Texto: José Roque – Diário de Leiria
Foto: Alexandra Gaspar