O que seria um dia de festa e de consagração acabou por ser um dia de confrontos físicos, agressões e um acidente que causou quatro feridos ligeiros. Tudo aconteceu no passado domingo no jogo do título da Divisão de Honra distrital entre o Grupo Recreativo Amigos da Paz (GRAP) e o Grupo Desportivo de Peniche. Quando o relógio do árbitro assinalava 94 minutos, a formação do Oeste marcou o golo do empate (2-2) para gáudio dos muitos adeptos do Peniche presentes no Campo da Charneca, nos Pousos, já que o empate garantia à formação de Vítor Martins não só o título distrital como também a subida ao Campeonato de Portugal.
Contudo, o pior estava para acontecer. Depois de alguns segundos de euforia, instalou-se o pânico, já que a vedação que separava os adeptos do Peniche do campo cedeu à pressão exercida, provocando a queda em catadupa de várias pessoas, inclusivamente de crianças. As forças de autoridade reagiram de imediato, tentando socorrer as pessoas que caíram, assim como elementos do GRAP, que se prontificaram a prestar auxílio. Apesar disso, um desses elementos garante ter sido agredido pelos adeptos afectos ao GD Peniche.
“Tentei socorrer as pessoas, principalmente duas crianças de sete e oito. Qual não foi o meu espanto, quando fui agredido com pontapés nas costas e socos na cabeça. Nem queria acreditar. Apesar disso, continuei a prestar auxílio às pessoas. Isso era o mais importante na altura”, contou o massagista do GRAP Ricardo Ribeiro, acrescentando que ficou com marcas visíveis das agressões.
Com a confusão instalada, os jogadores e elementos de ambos os clubes também se envolveram em confrontos, com empurrões, ainda que houvesse várias pessoas a tentar apaziguar os ânimos.
Ainda que desiludido com o que aconteceu, Ricardo Ribeiro enalteceu o momento em que recebeu uma mensagem do pai de uma das crianças assistidas a agradecer o auxílio. “Fez tudo valer a pena”, contou.

Mais confrontos no exterior do estádio
Após o apito final do árbitro e depois das pessoas começaram a desmobilizar do Campo da Charneca, ninguém suspeitaria que pudesse haver mais cenas de pancadaria, mas a verdade é que elas aconteceram mesmo.
Segundo apurou o Diário de Leiria, quando o autocarro dos adeptos visitantes se preparava para regressar a Peniche, houve um elemento que terá pedido ao motorista para parar o veículo, já que precisava de urinar. Esse adepto terá saído então do autocarro e urinado no portão de uma oficina junto ao Campo da Charneca, numa cena que causou a ira do proprietário do estabelecimento, que estava a chegar ao local. Com a troca de palavras, a tensão foi crescendo de tom, com vários adeptos do Peniche a saírem do autocarro entrando em confrontos físicos com o dono da oficina, a quem terá sido roubado o telemóvel, a carteira e a quem terão partido os vidros do carro.
“Alguns até tiraram o cinto para bater. Não sei lidar com esta gente. Fiquei muito triste porque portaram-se muito mal”, contou Rui Jorge, presidente do GRAP. O responsável disse ainda que as autoridades foram chamadas ao local, mas que, devido à demora, os confrontos ganharam nova dimensão, já que vários elementos ligados ao GRAP (jogadores e adeptos), ao aperceberem-se do que estava a acontecer, tentaram reagir de imediato, pelo que instalou-se a confusão, com troca de murros e pontapés.
“A polícia foi-se embora com os árbitros e ninguém fez o acompanhamento dos adeptos do Peniche como se faz noutras situações. Houve inoperância por parte das autoridades”, concluiu Ricardo Ribeiro. |

Texto: José Roque – Diário de Leiria
Foto: Pedro Bilber