Com um golo de Tiago Ferreira no último suspiro, a formação de Peniche viu dessa forma dramática consumada a subida de divisão e o título de campeão distrital, quando já quase ninguém esperava.
Numa primeira parte onde o equilíbrio foi a nota dominante, com poucas oportunidades de golo, começou melhor a equipa da casa que cedo chegou ao golo, com Miguel Pereira a aparecer rápido na área, a concluir boa jogada do lado direito (1-0).
Os visitantes sentiram o tento sofrido e demoraram a encontrar-se, ficando intranquilos e só ao minuto 27 criaram uma situação de perigo, com Luís Pinto a assistir Amar Boissy (o melhor em campo), mas este, em boa posição, acertou mal no esférico e esta parou nas mãos de Mocheco. No minuto seguinte, Motinha, sobre a meia esquerda, permitiu excelente intervenção ao guarda-redes do GRAP.
Os anfitriões responderam por Vasco que, numa grande arrancada na direita, por muito pouco não teve êxito na finalização. Minutos mais tarde, foi Migas (GRAP) a cabecear ligeiramente por cima.
E foi ao minuto 42 que o Peniche chegou à igualdade, fruto de uma grande penalidade, com o árbitro Pedro Narciso a considerar mão na bola dentro da área. Na conversão do castigo máximo, Motinha restabeleceu a igualmente, com as equipas a irem para os balneários empatadas a uma bola, num resultado que se ajustava.
No reatamento, o GRAP entrou mais pressionante, pois o empate não lhe convinha pelo que tomou as rédeas do jogo, com melhor circulação de bola e mais largura no seu jogo, não sendo indiferente a isso a entrada de Bruno Cepeda ao intervalo, com o conjunto forasteiro a jogar mais na expectativa e no erro do adversário.
Mas só ao minuto 70 o perigo rondou uma das balizas, quando Lagoa cabeceou ligeiramente ao lado da baliza do Peniche na sequência de um livre lateral.
Pouco depois chegou o 2-1. Jogada de insistência de Rica, que passou por dois adversários rematando para o fundo da baliza, com o esférico a tabelar num defensor contrário antes de entrar. Foi a loucura das largas centenas de pessoas que encheram o Campo da Charneca.
O Peniche passou a ir atrás do prejuízo, mas, sem arte, limitava-se a bombear bolas para a área, sem sucesso. Foi então que aconteceu o momento do jogo, que decidiu o campeonato: livre lateral do lado esquerdo e Tiago Ferreira a aparecer solto de marcação e a encostar para o fundo da baliza, para delírio das hostes do Peniche, contrastando com a desilusão de todos os afetos à equipa da casa.
No final assistiu-se cenas lamentáveis, com jogadores e ‘staff’ a envolverem-se em cenas de pancadaria, perante o olhar impávido e sereno dos muitos polícias presentes.
Pedro Narciso teve uma actuação irregular. Já o vimos fazer bem melhor.|

GRAP   2
Mocheco, Lagoa, Migas, Lomba (c), João Vítor, Fábio Pedro (Bruno Cepeda, ao intervalo), Miguel Pereira (Mika, 86′), Rica, Pê (Rudy, 89′) Cámara e Vasco.
Não jogaram: Makê, Boris e Daniel.
Treinador: Carlos Ribeiro.

GD PENICHE   2
Diogo Soares, Paulo Brites, Migas, Ricardo Cardoso, Paulo Bernardino (Tiago Pereira, 79′), Luís Pinto, André Cosme, Amar Boissy, Motinha (Valdir, 74′), Fred Martins (Telmo Patrício, 87′), Tiago Ferreira (c).
Não jogaram: André Lúcio, Dalhata Soro, Gustavo Martins e Diogo Bento.
Treinador: Vítor Martins.

Campo da Charneca, Pousos
Árbitro: Pedro Narciso. Assistentes: David Domingues  e Telmo Capitaz.
Espectadores: 1 000.
Ao intervalo: 1-1.
Golos: 1-0 Miguel Pereira (9′), 1-1 Motinha (42′), 2-1 Rica (77′), 2-2 Tiago Ferreira (90+4′).
Disciplina: Amarelo a André Cosme (70′).

Texto: Fábio Osório – Diário de Leiria
Foto: Pedro Bilber