José Roque

É a pergunta do momento: quem conseguirá travar o trajecto triunfal do AC Marinhense na Divisão de Honra? Ao fim de nove jornadas a formação da Marinha Grande conta com nove vitórias no campeonato e promete não ficar por aqui. Como não podia deixar de ser o AC Marinhense é líder isolado da competição, com mais oito pontos que o segundo classificado, a AD Portomosense, contando ainda com o segundo ataque mais concretizador da prova, com 18 golos, e a defesa menos batido, tendo ‘encaixado’ apenas três golos. Números que impressionam, mas que não surpreendem o treinador da equipa.
“Sempre que começamos um projecto estamos sempre à espera do melhor, e felizmente as coisas estão a correr bem”, disse Marco Aurélio, acrescentando que a derrota há-de chegar mais dia menos dia: “Não há equipas invencíveis, mas vamos tentar adiar ao máximo esse dia”.
Para o treinador da formação vidreira, o sucesso deve-se à “estrutura”. “O nosso objectivo sempre foi a subida de divisão e é para isso que estamos a trabalhar, mas isso só é possível pelos recursos que temos e pela qualidade das pessoas da estrutura. Isso, aliado à qualidade dos jogadores, faz a diferença”, salientou.
Com tantas vitórias e tamanha supremacia ao nível dos resultados desportivos é normal que surja algum tipo de deslumbramento por parte dos jogadores. Marco Aurélio está bem ciente disso mesmo, mas diz confiar nos seus jogadores. “Um dos perigos que corremos quando se ganha tudo é haver deslumbramento, mas é meu dever trabalhar para que isso não aconteça. Confio no plantel que tenho, com jogadores muito experientes e acredito que eles não se vão deixar cair na ratoeira”, vincou.
Apesar da caminhada vitoriosa do Marinhense, a verdade é que em seis das nove vitórias, o triunfo foi conseguido pela margem mínima, contra Beneditense, Alqueidão da Serra, Vieirense, Guiense, GRAP e Ginásio de Alcobaça. Números que espelham alguma dificuldades da formação vidreira de ‘desatar o nó’.
“Essa questão [vitórias pela margem mínima] tem a ver com diversos factores, mas o principal é a forma como os nossos adversários encaram os jogos. Os nossos adversários jogam com as armas que têm e em muitos casos são equipas que defendem bem porque é mais fácil defender do que construir. Temos apanhado muito equipas nesse registo muito defensivo”, sublinhou Marco Aurélio.
Além disso, o técnico acredita que há alguma pressão na sua equipa por esta estar ‘obrigada’ a ganhar, ainda para mais quando tem ao seu dispor um plantel de luxo. “Tendo em conta que sempre assumimos esse objectivo da subida há uma pressão extra de ganhar. Mas seja apenas por um golo ou por mais, o que interessa é que continuemos a ganhar. Neste momento somos e temos que ser uma equipa pragmática”, concluiu.
Questionado sobre os principais rivais na luta pela conquista do título, Marco Aurélio preferiu não fazer comentários, adiantando apenas que “o campeonato ainda vai dar muitas voltas”.

Começar do zero rumo à glória
Há um ano o AC Marinhense estava a disputar o Campeonato de Portugal pela primeira vez na sua história. Uma experiência que não terminou da melhor, já que não conseguiu evitar o regresso aos campeonatos distritais. Nesse sentido, foi preciso começar praticamente do zero, desde logo com a aposta num homem da ‘casa’ para liderar a equipa técnica, e com ele vieram vários jogadores do SCL Marrazes, nomeadamente Nélson Marques, Fred Machado, Filipe Almeida, Pedro Faustino, e Marcos Santos. A estes juntam-se Hugo Pinheiro (ex-GD Vidreiros), Tozé (ex-GD Sourense), Luís Oliveira (AC Alcanenense), Zé Miguel (ex-AD Portomosense), Diogo Vieira (ex-juniores UD Leiria), André Sousa (ex-CD Fátima), Rúben Coelho (ex-GD Vidreiros), John Abraham (ex-FC Lixa) e Pedro Emanuel (ex-Caldas SC).
Uma equipa praticamente nova, consubstanciada numa base que transitou da época anterior onde pontificam os experientes João Paulo, João Guerra, Pedro Rodrigues, Fábio Coça, Alex Dias e Rúben Martins, entre outros. Uma equipa de sonho que parece estar a ‘mais’ na Divisão de Honra distrital. Por isso mesmo, terminamos da mesma maneira que começámos: Quem conseguirá parar este Marinhense? |

Texto: José Roque – Diário de Leiria
Foto: André Lucas