O Caldas fez mais dois encontros de preparação contra adversários de valia, o Oriental e o Torreense, e ambos os testes deixaram boas indicações, embora também alguns aspectos a melhorar. Os resultados foram uma vitória contra os lisboetas e uma derrota do derby do Oeste, ambos por 3-2.
Em ambos os encontros o técnico José Vala continuou a trabalhar o conjunto em 4-4-2, com a formação que alinhou de início no jogo de sábado com o Torreense a poder estar já muito perto do mais forte, com Luís Paulo na baliza, defesa com Passos, Militão, Pedro Gaio e Farinha, meio campo com Pedro Faustino, André Santos, Simões e Bernardo, com a frente de ataque entregue a Ricardo Isabelinha e Hugo Neto.
Este 11 inicial já teve poucas variações em relação ao que iniciou o encontro com o Oriental, apenas Yordy no lugar de Gaio e Ruca no lugar de Hugo Neto.
Em ambos os encontros, o Caldas apresentou no primeiro tempo boas dinâmicas ofensivas, embora com o Torreense isso não tivesse rendido golos, o conjunto alvinegro criou uma série de boas oportunidades, três delas de golo iminente. Ricardo Campos tirou uma a Ricardo Isabelinha, o poste negou o golo a Militão e Pelegrini tirou o golo a Passos.
Na partida com o Oriental o domínio em posse de bola foi acompanhado de algumas fragilidades defensivas, com o conjunto a deixar algum espaço nas costas da defesa que os lisboetas aproveitaram para se colocar em vantagem, depois de já terem ameaçado antes. No entanto, ainda antes do intervalo os caldenses já ganhavam. Ricardo Isabelinha, que tem estado em evidência nesta pré-época, fez o empate a finalizar lance rápido de transição. Um livre de André Santos colocou o Caldas a vencer.
Em ambas as segundas parte as alterações em maior número no Caldas tiraram ritmo ao jogo, mesmo assim, possibilidade para ver pormenores interessantes.
Com o Oriental, Gaio fez o 3-1 a desviar um livre. Karim continuou a mostrar irreverência no meio campo, enquanto os ex-juniores Rafael Roque e Miguel Cunha brilharam num lance muito interessante à esquerda que quase deu golo, já depois do Oriental ter reduzido.
Se nessa partida José Vala fez o conjunto da segunda voltar ao 4-2-3-1, na segunda parte com o Torreense o conjunto manteve-se organizado em 4-4-2. No entanto, as alterações no Torreense mexeram no jogo. Dinis e Lucas marcaram para os torrienses. O Caldas reagiu bem. Yordy reduziu num remate de longe após bom lance a envolver Militão, Leandro e Karim. O próprio Leandro empatou de cabeça após centro de Karim.
Uma combinação de Ruca e Januário esteve perto de dar a vitória ao Caldas, mas foram os visitantes a levar o triunfo, aproveitando desatenção da defensiva caldense.

“ESTAMOS BEM”

José Vala não esconde estar satisfeito com o que os jogadores lhe têm mostrado nestas primeiras semanas de trabalho. “Estamos bem”, afirmou à Gazeta das Caldas. O técnico diz que a mudança na organização táctica da equipa foi implementada “em função dos jogadores que temos na frente”, mostrando-se satisfeito com as dinâmicas ofensivas criadas com a frente de ataque a dois.
O processo defensivo ainda preocupa o técnico, mas “faz parte da evolução e o treino vai corrigir isso”, acrescentou.
Com nove jogadores novos no plantel, estes jogos de preparação têm envolvido muita rotatividade, até para que se criem rotinas entre todos. José Vala destaca que, com as condicionantes orçamentais que o clube tem, “construímos um plantel competitivo e sinto que há muita gente que pode jogar”, em todas as posições do campo.
No entanto, José Vala reconhece que o 11 que alinhou de início com o Torreense poderá estar muito próximo do que alinhará na jornada de estreia, a 18 de Agosto. Contudo, até lá cabe aos jogadores comprovarem que merecem o lugar na equipa inicial, até porque há ainda muitas sessões de trabalho pelo meio.
Não é novidade para a esta época, mas Ricardo Isabelinha tem sido um dos elementos em destaque nesta pré-época, depois de ter falhado mais de metade da época passada devido a uma fractura no maxilar. Já fez o gosto ao pé, mas tem impressionado essencialmente pela velocidade e pelas dinâmicas que empresta ao ataque. “Já estava bem antes de se ter lesionado e tem-no feito na pré-época, está a mostrar o que nos levou a trazê-lo, é um jogador explosivo”, refere José Vala. De resto, velocidade e técnica são apetrechos de todos os elementos da frente de ataque, o que o técnico quer aproveitar à falta de um jogador mais posicional e possante que não foi possível, até ao momento contratar.
Mesmo com alguma falta de robustez física no plantel, José Vala acredita que o Caldas terá outras armas. “Tenho dito que se não ganhamos no ar, ganhamos pelo chão, se não ganharmos a primeira bola, ganhamos a segunda e depois temos que fazer uso da nossa qualidade de jogo”.
O que também tem deixado o técnico satisfeito é a acalmia no gabinete médico. Apenas Passuco se lesionou com maior gravidade, mas o problema acabou por não ser tão complicado como se chegou a pensar e o jogador poderá estar de volta em breve. Leandro também teve um problema ligeiro, mas voltou a jogar com o Torreense, embora por um período mais limitado, e Marcelo saiu lesionado depois de sentir um problema muscular.
Com o plantel quase todo disponível José Vala diz que gosta de ter a “dor de cabeça” de escolher, mas adverte que parte da responsabilidade é dos jogadores. “Eu tenho o mesmo pensamento que o sócio e o adepto mais ferrenho, quero que o Caldas ganhe e escolho os que penso que são os melhores para cada jogo, porque para mim são todos iguais”, concluiu.

Joel Ribeiro – Gazeta das Caldas