O novo treinador do Ginásio, que se estreou na deslocação ao Gafetense (3-1), acredita que a equipa vai evoluir com o decorrer da temporada e que esse crescimento competitivo permitirá, no final da época, evitar a descida aos distritais da AF Leiria.

REGIÃO DE CISTER (RC) > O que o fez aceitar um projeto de risco, agarrando numa equipa no último lugar do Campeonato de Portugal Prio, só com uma vitória após oito jornadas disputadas?
FRANCISCO MOTA (FM) > É, efetivamente, um projeto de risco, mas o Ginásio é um clube que tem condições de trabalho e que estava consciente da realidade que iria enfrentar. Além disso, conhecendo a maior parte do plantel, entendi que devia aceitar o convite que me foi formulado, porque também gosto de desafios. Nunca tive qualquer tipo de problemas em aceitar desafios enquanto treinador. Este é um desafio enorme, mas é com muita confiança que estou a encará-lo e vou trabalhar no sentido de ajudar o clube a conseguir os seus objetivos.

RC > Qual é a prioridade de um técnico quando se pega numa equipa no último lugar de uma competição? O aspeto psicológico prevalece na abordagem?
FM > Devo dizer que fiquei impressionado pelo valor da equipa, pela forma como trabalha e a única questão é que se trata de um grupo muito jovem, que precisa de acreditar mais nela. É isso que estamos a tentar fazer: dar mais confiança aos jogadores e fazê-los sentir que é possível jogar contra equipas do Campeonato de Portugal e obter bons resultados. É uma questão de paciência. E por parte de toda a gente: jogadores, dirigentes, sócios e adeptos. Todos têm de sentir que esta é uma fase em que temos de amealhar alguns pontos, mas que será na fase dos últimos em que temos de apostar todas as energias. É na segunda metade da temporada que poderemos projetar a equipa para uma posição que nos permita garantir a manutenção.

RC > Faz sentido um campeonato com este regulamento, em que as equipas perdem 75% dos pontos amealhados da 1.ª fase?
FM > A única coisa que me surpreende é a forma como os pontos são “descontados”. Falando muito honestamente, este modelo competitivo acaba por nos ser algo favorável, mas tenho dúvidas sobre a verdade desportiva da competição. Mas esta é a nossa realidade e será assim que vamos lutar pelos nossos objetivos.

RC > O plantel é extenso e já teve muitas alterações. É previsível que haja ainda alterações?
FM > O plantel é extenso e bastante jovem. Não digo que não existam alterações, mas também digo que a minha chegada não é sinónimo de alterações imediatas. O campeonato vai dizer da necessidade de modificar o plantel.

RC > O Ginásio esteve vários anos nos distritais. Para quem estava de fora, considera que o clube estava preparado para este salto?
FM > Não sou, certamente, a pessoa mais certa para o dizer, pois ainda não conheço em concreto a realidade do clube. Se essa pergunta me for feita daqui a três ou quatro meses serei capaz de dar uma resposta mais efetiva. A única coisa que sei é que o Ginásio está organizado, está bem estruturado e que as pessoas estão a trabalhar no sentido de oferecer as melhores condições a toda a gente, atletas e equipa técnica, para que seja possível realizar uma boa temporada.

RC > A mudança para a Série F, mais a sul e com equipas de outro calibre, acabou por ser uma condicionante extra…
FM > Sim, disso não restam dúvidas. Esta é uma série muito exigente. Na Série D a tarefa do Ginásio seria, possivelmente, mais fácil, mas isso não significa que a nossa equipa não seja capaz de atingir, na mesma, os objetivos da permanência no Campeonato de Portugal. Estamos cá para trabalhar nesse sentido.

RC > O que é que os adeptos podem esperar do Ginásio até ao final da temporada?
FM > Os adeptos podem esperar muito trabalho e confiança. Podem esperar uma equipa que tem ambição, que nunca vai baixar os braços, que vai representar o clube com muita dignidade, com disciplina e que será muito competitiva. Os adeptos podem esperar uma equipa que irá dar tudo e lutará até ao último minuto do campeonato.

RC > Filipe Faria foi um técnico marcante no clube. Como é suceder-lhe?
FM > Já passei, feliz ou infelizmente, pela mesma situação e sei bem aquilo que o Filipe Faria está a passar neste momento. Aquilo que tenho para lhe dizer é que hoje é um dia e amanhã será outro e que ele não deixou de ser menos treinador pelo facto de ter deixado o Ginásio. É um jovem que tem muito valor, que tem muita ambição e tenho a certeza que lhe irão aparecer outros projetos para trabalhar e só lhe posso desejar toda a sorte do mundo.

Joaquim Paulo – Região de Cister