Corria a época 2012/2013 quando chegava a Fátima um miúdo franzino, tímido e praticamente desconhecido. Chamavam-no de Nelsinho e tinha apenas como ‘cartão-de-visita’ o facto de ter sido contratado pelo Benfica ao Sintrense e imediatamente emprestado ao CD Fátima, equipa que militava na então 2.ª Divisão B. Ninguém suspeitaria que o mesmo jogador, cinco anos depois, estaria a assinar pelo poderoso Barcelona FC.

Falamos de Nélson Semedo, lateral direito que singrou ao serviço do SL Benfica, ao ponto de já ser internacional português. E diz quem trabalhou de perto com o atleta que Nélson Semedo é como o algodão, nunca enganou. “Via-se que, para a idade que tinha e a forma como tocava na bola, tinha muita qualidade. Com apenas 18 anos já era um atleta acima da média, pela forma como se movimentava em campo e pela rapidez que tinha nas tomadas de decisão”, contou Nuno Kata, na época colega de balneário de Nélson Semedo.

O agora treinador de futebol admite que, apesar de toda a qualidade que estava à vista, nunca imaginaria que Nélson Semedo chegasse a um patamar tão alto no futebol mundial. “Se me perguntassem na altura se ele iria chegar ao Barcelona, ninguém diria isso. Mas o facto de ter tido uma oportunidade no Benfica foi importante para ele porque teve tempo e espaço para evoluir”, vincou Nuno Kata.

Quem não ficou surpreendido com a trajectória de Nélson Semedo foi Nuno Domingos, treinador do CD Fátima que orientou o atleta no final da época 2012/2013, já que o agora jogador do Barcelona “tinha características muito boas” e era “muito evoluído tecnicamente”. “Era rápido na execução e com grande capacidade de acelerar o jogo”, contou o técnico, acrescentando ainda não ter dúvidas que Nélson Semedo “terá um futuro brilhante”.

Apesar de caracterizar Nélson Semedo como um “miúdo muito calmo e humilde”, Nuno Domingos realça a boa relação que o jogador tinha com os colegas de equipa, para além da vontade de aprender, congratulando-se ainda pelo facto de ter sido ele a apostar em Nelsinho como médio direito. “Encostei-o ao corredor e, no futebol moderno, é normal que um médio ala seja adaptado a lateral. Foi o que aconteceu no Benfica B e ele soube aproveitar a oportunidade para crescer e evoluir”. O técnico vincou ainda que a passagem de Nelsinho pelo Fátima acabou por ser “importante” para o crescimento do jogador: “O Fátima deu-lhe a oportunidade de jogar numa prova mais competitiva”, contou.

Já Nuno Kata recorda que o “tímido” Nelsinho, dentro de campo, “transfigurava-se”. E por isso mesmo, augura uma adaptação tranquila ao Barcelona. “Ele é muito educado e não gosta de dar nas vistas. No Barcelona, os jogadores mais velhos vão puxar por ele, assim como já acontecia no Fátima, e não tenho dúvidas que tem valor para singrar”, concluiu.

A verdade é que, para um jogador de 18 anos, nunca é fácil dar o salto de júnior para sénior. Em Fátima, Nélson Semedo teve essa oportunidade e agarrou-a com unhas e dentes. No final da época, participou em 29 jogos, totalizando 1323 minutos de utilização. Estava a nascer uma estrela. Fátima: um viveiro de estrelas

Não se pense que Nélson Semedo é caso único no CD Fátima.

Foram vários os jogadores que, em tenra idade, passaram pelo clube ‘grená’, atingindo patamares muito superiores. Exemplos disso mesmo são os de William Carvalho (Sporting), André Santos (Arouca), Héldon (Rio Ave), André Carvalhas (Cova da Piedade), Sami (Desportivo das Aves), Mário Rui (Nápoles) ou Carlos Saleiro (Port Vale), entre outros.

Texto: José Roque – Diário de Leiria