Num encontro que se aguardava com alguma expectativa entre duas das melhores equipas do campeonato, Marrazes e Marinhense proporcionaram aos muitos adeptos presentes um excelente espectáculo de futebol, em que a eficácia vidreira ditou leis, perante a maior qualidade futebolística dos locais.
Os donos da casa entraram a mandar no desafio, tomando a iniciativa do jogo com os alvinegros expectantes, recuados no seu meio-campo, sabendo que a pressão de vencer estava do lado do seu oponente, mas um balde de água fria caiu sobre os ‘corvos’ logo ao minuto 9, com Rodrigo Matias, de forma displicente, a cometer uma falta escusada na área, com Renato Sousa, da marca dos 11 metros, a abrir o activo para o Marinhense.
A maior posse de bola do SCL Marrazes não era sinónimo de perigo e foram os vidreiros a voltar a criar perigo no seguimento de um canto, em que a defensiva caseira facilitou, mas acabou por cortar numa última instância.
À passagem do minuto 35, o Marrazes protagonizou uma grande jogada colectiva, em que só pecaram na finalização. Minutos depois, lance polémico, com Macrino Santos a aparecer estatelado no relvado, com as hostes marrazenses a reclamarem grande penalidade mas Rúben Anjos mandou seguir.
Do lado contrário, novo ataque rápido, com a defensiva do Marrazes a pedir fora-de-jogo e João Carvalho, alheio aos protestos, aproveitou, flectindo da esquerda para o meio e, com um remate em arco, fez um belíssimo golo (0-2), num resultado que premiava a eficácia do Marinhense.
Na segunda parte, o conjunto da casa entrou mais forte, pressionando logo na primeira fase de construção do seu opositor, dificultando deste modo a saída para o ataque do líder do campeonato e foi sem surpresa que os donos da casa chegaram ao golo, numa jogada de insistência, com o esférico a sobrar para Jota, que após excelente trabalho individual, fuzilou para o 1-2.
Empolgados pelo tento obtido, o mesmo Jota poderia ter igualado o encontro, depois de um bom trabalho na esquerda, mas o avançado, com um remate à meia volta, desta vez errou o alvo por muito pouco.
Com o tempo a passar, o Marinhense ficou mais recuado na procura de segurar a vantagem mas sem descurar a transição ofensiva na tentativa de aumentarem a vantagem – teve um golo anulado por fora-de-jogo –, uma estratégia que o Marrazes tentou combater passando a jogar de uma forma mais directa e vertical na tentativa também de ter segundas bolas mais perto da zona de finalização. Na verdade, a turma da casa teve efectivamente uma ou duas segundas bolas que poderiam ter aproveitado melhor, e numa ou outra bola parada mas o seu opositor foi mais forte.
E quando os anfitriões tentavam o tudo por tudo, descuraram um pouco o seu equilíbrio defensivo e o Marinhense aproveitou para, de forma pragmática ‘matar’ o jogo, numa transição rápida em que o recém-entrado André Frias ludibriou o guardião José Maria e colocou um ponto final na indefinição do vencedor.
Boa arbitragem de Rúben Anjos, dando-se o benefício da dúvida nos dois lances acima mencionados.|

SCL Marrazes 1
João Maria, Tomás Santos, Tomás Lopez (c), Rodrigo Matias (Miguel Rodrigues, int.), Daniel Reis (Rodrigo Bento, int.), André Fonseca, Luís Sobreira, Tomás Amado, Gonçalo Branco (Romeu Neca, 71′), Macrino Santos e Jota.
Não jogaram: Tomás Sousa, JP, Mika e João Martim.
Treinador: Rodolfo Cabral.

AC Marinhense 3
Francisco Pereira, Afonso Dâmaso, Francisco Santos (c), Gonçalo Ruivo, Pedro Alexandre, David Lopes (André Frias, 70′), Renato Sousa, Simão Silvestre, Miguel André (André Matos, 46′), João Carvalho (Bruno Miroto, 70′) e Rodrigo Crespo (Afonso Roldão, 70′).
Não jogaram: Pedro Pereira e Lucas Passagem.
Treinador: Carlos Fonseca.

Aldeia dos Desportos, Marrazes
Árbitro: Rúben Anjos. Assistentes: Beatriz Vilic e João Figueiredo.
Ao intervalo: 0-2. Espectadores: 110.
Golos: 0-1 Renato Sousa (9′, p.), 0-2 João Carvalho (39′), 1-2 Jota (44′), 1-3 André Frias (80+2′).
Disciplina: Amarelo a Rodrigo Bento (21′), Afonso Dâmaso (37′), João Carvalho (51′), Rodrigo Crespo (61′).

Texto e foto: Fábio Osório – Diário de Leiria