José Roque – Diário de Leiria

Numa época verdadeiramente atípica devido à pandemia da covid-19 que obrigou inclusivamente ao cancelamento de todas as competições de futebol a nível distrital, a eleição do melhor onze da Divisão de Honra não só é ingrata como também injusta para todos os protagonistas e agentes desportivos, já que foram privados dos últimos meses de prova. Ainda assim, o Diário de Leiria decidiu manter a tradição e, pelo oitavo ano consecutivo, destaca os jogadores que mais se notabilizaram e brilharam na época 2019/2020.

O melhor onze eleito pelo Diário de Leiria conta com um lote de jogadores muito heterogéneo, estando nove clubes representados na selecção final, e só mesmos os dois primeiros classificados da tabela na altura na interrupção é que conseguiram eleger dois jogadores. Isto mostra a competitividade e o equilíbrio de forças na Divisão de Honra, ao mesmo tempo que prova que a qualidade individual dos atletas esteve espalhada por vários campos.

Mais uma vez, a eleição do melhor onze do Diário de Leiria contou com o contributo e votação da maioria dos treinadores da Divisão de Honra e dos colaboradores de Desporto do Diário de Leiria. Confira então o melhor onze, mais o banco de suplentes e o melhor treinador (no topo da página).

Ruben Lopes (ID Vieirense)

Se o Vieirense estava a realizar uma época tranquila a meio da tabela, muito o deve agradecer ao guarda-redes Ruben Lopes que voltou a mostrar mais uma vez ter qualidade acima da média. Com 24 anos, Ruben Lopes já apresenta uma maturidade e uma personalidade assinaláveis entre os postes, transmitindo segurança e tranquilidade aos seus colegas da defesa. Com grande parte da formação feita no Marinhense, Ruben Lopes começa também ele a justificar outros voos.

Daniel Gregório (GDR Boavista)

Depois de uma primeira época ao serviço do GDR Boavista a um bom nível, Daniel Gregório surgiu na época 2019/2020 com a confiança redobrada, sendo dono e senhor do lado direito da defesa. Apresentando sempre uma velocidade em alta rotação, Daniel Gregório não só se mostrou muito competente a nível defensivo, como chegou a ser determinante em diversas ocasiões nas movimentações ofensivas da equipa. É aquilo que se pode chamar de um ala moderno, que joga, faz jogar e é extremamente competente em todas as fases do jogo.

Wellington Silva (GC Alcobaça)

Vindo directamente do seu país natal (Brasil), Wellington Silva foi uma das boas surpresas do campeonato e não demorou muito tempo para mostrar toda a sua qualidade. Com 27 anos, o defesa central mostrou ser muito forte na marcação e bom no posicionamento, aliando a uma velocidade assinalável. Além disso, foi determinante para a sua equipa já que mostrou sempre muito competência no jogo aéreo tanto a nível defensivo como ofensivo. Por tudo isto, não é de estranhar que esteja a ser cobiçado por vários clubes com objectivos mais ambiciosos.

Gonçalo Fidalgo (SC Pombal)

O defesa central do SC Pombal entrou no melhor onze com todo o mérito já que para além da época muito consistente que assinou, foi o jogador mais utilizado naquela que era a defesa menos batido do campeonato até à interrupção. Aos 25 anos e depois de regressar a uma ‘casa’ que tão bem conhece, Fidalgo mostrou ser um jogador de confiança para qualquer treinador pela sua postura e competência dentro das quatro linhas.

Vieirinha (GRAP)

Foi uma das boas surpresas do campeonato, especialmente a actuar no lado esquerdo da defesa. No início da época parecia que Vieirinha seria uma opção de recurso para esse lugar tendo em conta que é como extremo que se sente como peixe na água, mas rapidamente provou que o lugar seria seu por mérito próprio, rubricando exibições muito positivas jogo após jogo, principalmente pela sua apetência para ajudar os colegas de ataque com assistências para golo. Aos 23 anos, Vieirinha voltou a mostrar que está a crescer e só resta saber até onde é que isso o poderá levar.

Alex Diliberto (AC Marinhense B)

O que dizer de um jogador que na sua primeira época de sénior já se estreou no Campeonato de Portugal? O médio francês proveniente da Académica de Coimbra, desde cedo começou a espalhar magia pelo Marinhense B e também cedo se percebeu que teria ‘pedalada’ para outros andamentos. Ainda assim, foi determinante para a boa campanha dos vidreiros na Divisão de Honra, mostrando sempre uma inteligência acima da média, aliado a uma leitura de jogo só ao alcance de alguns. Com o futuro pela frente, é importante ficar de olho neste talento puro.

Luís Pinto (GD Peniche)

É daqueles jogadores que não sabe jogar mal e, por isso mesmo, é um ‘habitué’ nestas eleições dos melhores do ano. Com apenas 26 anos, é ele o verdadeiro líder da equipa, respeitado por todos no balneário pelo seu carácter, mas sobretudo por tudo aquilo que faz dentro de campo, onde mostra sempre personalidade, bom posicionamento e leitura de jogo, para além de ter um pulmão incansável. Esta época Luís Pinto mostrou ser um dos jogadores mais fiáveis do distrito, emprestando toda a sua experiência e competência em prol da equipa.

Miguel Velosa (AD Portomosense)

Foi chegar, ver e vencer. Miguel Velosa chegou a Porto de Mós rotulado de craque pelos largos anos que passou na formação do Sporting. Apostado em relançar a carreira, fez uma época de estreia como sénior ao mais alto nível. Fruto da tenra idade, foi algo inconsistente nas suas exibições, mas muitas das vezes mostrou-se um autêntico diabo à solta nos relvados, fazendo da sua técnica individual, velocidade e irreverência as suas principais armas. Por isso mesmo, não foi de estranhar que o AC Marinhense, do Campeonato de Portugal, o tivesse ido ‘pescar’.

Dany Marques (GRAP)

Mais uma vez Dany Marques voltou a mostrar que é um valor seguro para qualquer equipa da Divisão de Honra, clamando até uma oportunidade em patamares mais elevados já que a qualidade e o potencial está todo lá. Aos 29 anos, voltou a ser determinante para a boa campanha do GRAP no campeonato já que foi um dos melhores goleadores da prova. Contudo, Dany Marques não se limitou a mostrar faro pelo golo, já que muitas vezes foi ele quem pegou na batuta da equipa, emprestando requinte e eloquência ao futebol ofensivo da turma dos Pousos.

Marcos Santos (AC Marinhense B)

É daqueles jogadores que não engana. Já desde tenra idade que tinha vindo a provar que tinha um potencial gigantesco e depois de várias épocas muito regulares, este ano Marcos Santos ‘explodiu’ de vez, sendo um dos principais pilares para a boa época do Marinhense B. Boa técnica individual, velocidade, irreverência e capacidade de liderança transformaram Marcos Santos num avançado completo e, fruto disso mesmo, teve uma época recheada de golos que levaram a sua equipa ao topo. Por tudo isto, não foi de estranhar que o Caldas SC o tivesse resgatado.

Ruben Araújo (CCR Alqueidão da Serra)

Desconhecido por muitos, Ruben Araújo fez uma época notável a todos os níveis. Depois de vários anos a destacar-se na formação do Caldas e do NS Rio Maior, o avançado ‘explodiu’ em Alqueidão da Serra, onde se transformou num artilheiro temido por qualquer defesa. O seu futebol perspicaz e acutilante fez dele um avançado com um faro incrível pelo golo, tendo sido a principal revelação da época, ajudando a sua equipa a colocar-se durante muito tempo no pelotão da frente na luta pelo título. Com apenas 21 anos, trata-se de um avançado que merece ser seguido com muita atenção.

Melhor treinador: Vítor Duarte (AC Marinhense B)

Depois de ser levado o Marinhense B à subida de divisão, Vítor Duarte voltou este ano a pegar numa equipa recheada de jovens para surpreender tudo e todos ao levá-la ao topo da classificação. Um treinador com selo de qualidade.

BANCO DE SUPLENTES:
David Santos (Marinhense B)
Zé Ricardo (Marinhense B)
Luís Gonçalves (GD Peniche)
Rica (AD Portomosense)
Elton Lopes (Marinhense B)
Pedro Domingues (GRAP)
Vasco Gonçalves (ACCR Alqueidão da Serra)