José RoqueDiário de Leiria

Nos últimos dias os habitantes da localidade de Ferrel, no concelho de Peniche, vivem com um sorriso espantado no rosto e tudo por culpa de um filho da terra que sagrou-se campeão nacional da Ucrânia de futebol ao serviço do Shakthar Donetsk no passado sábado. Falamos de Vítor Severino, técnico que nos últimos anos tem coadjuvado Luís Castro no banco de suplentes, e que não esconde o facto de estar a viver um momento “fantástico”.
“Felizmente já tinha sido campeão nacional de juniores (no FC Porto) por duas vezes, mas este é o primeiro no futebol profissional. É a sensação clara de que o trabalho compensa, de que o esforço e a dedicação nos levam onde queremos. Este título é o culminar de um processo de quatro anos, que começou em Vila do Conde. Espero que seja o primeiro de muitos”, contou Vítor Severino, ao Diário de Leiria.
Para este ferrelejo de 36 anos o segredo para o clube ucraniano que representa ter conquistado o quarto título nacional consecutivo está relacionado com o facto de a equipa ter “uma ideia de jogo clara”, “convicções” e “lutar muito por elas”.
“A partir daí basta sermos coerentes e, como é óbvio, ter à nossa disposição jogadores de qualidade que possam interpretar essas ideias. Foi isso que encontrámos no Shakhtar, um clube enorme, com um plantel de grande qualidade e uma filosofia de vitória e de qualidade de jogo. Acho que este contexto é muito ‘a nossa cara’. Sempre defendemos uma determinada componente estética do jogo, algo que aqui é simplesmente exigido. Estou muito feliz pela conquista e pela forma como o fizemos”, explicou o treinador-adjunto principal do Shakthar Donetsk.
Vítor Severino começou cedo nas lides futebolísticas, primeiro como jogador e depois como treinador. Depois de vários anos na formação da Académica de Coimbra, onde chegou a ser coordenador, foi convidado para ingressar na formação do FC Porto, onde brilhou ao mais alto nível. Tanto que chamou a atenção a Luís Castro que não mais abdicou do seu braço direito. Foi assim no Rio Ave, no Desp. Chaves e no Vit. Guimarães. Contudo, foi na Ucrânia que a dupla atingiu o estrelato, mas apesar de estar nas bocas do mundo, Vítor Severino não esquece as suas origens.
“Quero deixar uma palavra de agradecimento por todas as mensagens de reconhecimen­to e de orgulho. Não me esqueço das minhas raízes e da minha terra, afinal foi aí que tudo isto que agora está a acontecer começou. Começou com uns pontapés na bola em Ferrel e depois a jogar futebol em Peniche e na Atouguia da Baleia. Lembro-me bem dos jogos difíceis em Leiria, na Marinha [Grande] ou em Pombal. São tempos felizes, dos quais eu nunca me esqueço. Obrigado a vocês pelo reconhecimento. Aos jovens costumo dizer para trabalhem muito, para estarem no sítio certo, à hora certa, e com as competências certas”, rematou Vítor Severino.
Quem também não esqueceu o filho da terra foi a Junta de Freguesia de Ferrel que nas redes sociais não deixou de mostrar o seu orgulho. “Vítor Severino, nosso conterrâneo que nos visitou em Dezembro, é hoje [sábado] campeão da Ucrânia no Shakhtar Donetsk. Um orgulho para Ferrel e para o País! Parabéns a toda a sua equipa”, pode ler-se.

Luís Castro: amor pelo futebol nasceu na Vieira
Mas não se pense que as ligações do Shakthar Donetsk com o distrito de Leiria se ficam por aqui. Também o técnico principal da equipa, Luís Castro, está intimamente ligado à região, já que foi na Vieira de Leiria que passou grande parte da sua juventude, isto porque a mãe era lá professora. Foi precisamente naquela localidade do concelho da Marinha Grande que Luís Castro começou a jogar futebol ao serviço do ID Veiriense e mais tarde representou a UD Leiria no escalão de juvenis, juniores e seniores, entre 1978 e 1981, e posteriormente em 1982/83 e 1984/85 onde chegou a ser capitão de equipa. Pelo meio, representou novamente o ID Vieirense.|