O presidente do Ginásio fez um balanço dos dois anos de mandato e em entrevista ao REGIÃO DE CISTER lançou os dados para uma nova candidatura. Hélder Nunes deverá recandidatar-se ao cargo na Assembleia-Geral, que deve realizar-se em julho.

REGIÃO DE CISTER > Vai recandidatar-se ao cargo de presidente?
Hélder Nunes > Estamos a reunir condições para preparar uma nova candidatura. Pretendemos fazer um trabalho de melhoria contínua a nível desportivo, formativo e social, para tornar o clube estruturalmente mais forte para chegar a patamares superiores.

RC > Que balanço faz dos dois anos em que lidera o clube?
HN > Foram quase dois anos de muita aprendizagem, muitas trocas de ideias e sobretudo muito consenso entre os elementos que comigo abraçaram este projeto, tais como funcionários do clube e os que não pertenceram aos orgãos sociais do clube, mas cuja participação foi determinante. Também os treinadores e jogadores foram sempre parte das soluções.

RC > O que fica por fazer neste primeiro mandato?
HN > Dar melhores condições aos sócios, conseguir melhorar infraestruturas, redimensionar todo o projeto de clube, melhorar estatutos… Mas também tivemos grandes vitórias como a certificação da FPF, a Bandeira da Ética, o trabalho desenvolvido no âmbito do impacto social, a plataforma informática de gestão desportiva, a vertente formativa para pais, adeptos, jogadores, treinadores e dirigentes.

RC > Duas épocas estáveis da equipa principal na Honra distrital. O Ginásio não ambiciona a subida aos nacionais?
HN > A Direção do Ginásio entende que não é proveitoso subir aos nacionais para voltar a descer no ano seguinte. A manutenção nos nacionais exige outro tipo de estruturas desportivas e financeiras que neste momento o clube não tem. Ambicionamos sempre os nacionais, mas se pudermos vamos ganhar tempo, criando estrutura para podermos permanecer no escalão.

RC > Quais os planos para a nova época?
HN > Pretendemos ter os mesmos escalões da época passada, ficando por definir o número de equipas a criar. Já há equipas técnicas e jogadores confirmados que brevemente vão ser apresentados.

RC > A aposta do clube vai passar pela formação?
HN > O Ginásio vai continuar a apostar na formação para integrar a equipa sénior. Nesta época a equipa principal teve 13 atletas cuja formação foi feita essencialmente no clube. Teremos sempre que recrutar alguns jogadores fora deste âmbito para conseguirmos ter equipas competitivas e para colmatar lugares específicos na equipa que não poderemos preencher com a formação. Não pela qualidade dos atletas, mas porque alguns deles vão para a universidade ou porque a vida laboral não permite continuar.

RC > Quais foram os maiores impactos da Covid-19 no clube?
HN > Não permitiu a realização da 20.ª edição do torneio da fúria, a festa de encerramento da época, a participação nos Santos Populares, o campo de férias, a participação na feira de São Bernardo. Estes são eventos nos quais o clube iria ter receitas para fazer face a dívidas contraídas. Falta ainda saber como vão decorrer as inscrições para a próxima época. O Ginásio iniciou esta época a atribuição de bolsas aos atletas cujas famílias têm dificuldades no pagamento das quotas de inscrição. Estamos a estudar possibilidade de alargamento desta atribuição a mais famílias talvez com parceria de outras entidades.

RC > O que falta para o Ginásio recuperar a mística de outros tempos?
HN > Os adultos, tirando honrosas exceções, limitam-se a ir ver os jogos do filho ou do neto e na segunda-feira perguntam qual foi o resultado dos seniores. Há condições que temos de melhorar mas estamos a trabalhar nesse sentido juntos das entidades competentes. Tem de ser mostrar às pessoas que o Ginásio é uma organização que pretende estar envolvida na sociedade nos planos desportivo, formativo, ético e social. Se conseguirmos que grande parte dos jovens passe na formação do clube seguramente teremos mais pessoas ligadas ao clube novamente.

Rafael Raimundo – Região de Cister