De Braga chega-nos um grande exemplo de fair-play protagonizado por Nuno Xavier, fisioterapeuta da equipa de futebol de praia do Sp. Braga. Numa altura em que o jogo entre o Sótão e o Buarcos, a contar para a 6.ª ronda do Campeonato Elite de Futebol de Praia, estava empatado, Fabinho, jogador do Sótão, sentiu-se mal no banco de suplentes e Nuno Xavier não hesitou em auxiliar o atleta.

“O Sótão não tinha nenhum assistente e eu estava na zona técnica caso fosse preciso alguma coisa. De repente vi os jogadores aos gritos e corri de imediato para o banco do Sótão. Quando cheguei lá vi o atleta [Fabinho] inanimado, completamente sem sentidos e prestei-lhe a assistência imediata. Coloquei-o na posição lateral, abri-lhe a boca e tentei mexer-lhe na caixa torácica. A Cruz Vermelha também interveio rapidamente e o vómito que ele teve veio para fora e não reverteu para dentro. Caso contrário, ele podia sufocar. Se não houvesse uma rápida intervenção, as coisas podiam ter corrido mal”, começou por recordar Nuno Xavier em declarações a Record.

Referindo que, mais do que o seu “dever como profissional”, fez o seu “dever como pessoa”, o fisioterapeuta explicou ainda que, após o incidente, Fabinho recebeu oxigénio e “conseguiu estabilizar”. Para Nuno Xavier, casos como estes mostram a importância de haver sempre pessoal médico presente nos eventos desportivos: “É fundamental haver pessoal especializado em termos clínicos no terreno. Estes tipos de situações são imprevisíveis e às vezes são deixadas um bocadinho para trás. Há lesões que exigem uma rápida intervenção e só assim se consegue impedir mais complicações para os atletas.”

Por fim, e num plano à parte do incidente, Nuno Xavier, que possui uma clínica de fisioterapia, descreveu a forma como teve de se adaptar por causa da pandemia. “Inicialmente foi complicado, mas depois tivemos de nos adaptar em termos de higienização e de protecção. Depois da retoma houve muitas lesões e tivemos de ser capazes de dar uma resposta. As pessoas precisaram sempre de cuidados clínicos, as lesões e as quedas continuaram a existir. Tivemos de nos adaptar para prestar assistência aos que nos procuraram”, rematou.

Por Diogo Matos – Record