O futebol ensina-nos diversas vezes, às vezes até de forma dolorosa, que o futebol não é feito de domínio, de posse de bola ou de oportunidades, mas sim de golos. Foi essa a dura lição que a UD Leiria levou da partida de sábado à tarde frente ao Santa Clara, da I Liga, a contar para a 3.ª eliminatória da Taça de Portugal.
Frente a um adversário duas divisões acima e que não fez ‘poupanças’, os leirienses assinaram uma exibição de luxo, principalmente na primeira parte, onde foram donos e senhores do jogo, dispuseram de diversas situações para marcar, mas pecaram no essencial: não foram eficazes. Do outro lado, um Santa Clara irreconhecível fez um remate à baliza leiriense em toda a partida, mas foi o suficiente para ganhar por 0-2. Confuso? Já explicamos.
O jogo começou com a UD Leiria, surpreendentemente, a tomar a iniciativa de jogo, perante um Santa Clara na expectativa. Assim, a primeira grande oportunidade pertence aos leirienses quando Sylla serviu de bandeja Marcos Silva que, na passada e já dentro da área, atirou à figura de Marco Pereira. Começava aqui o recital de desperdício.
Pouco depois, num lance de insistência na área, a UD Leiria volta a criar perigo quando a bola sobrou para Kaká que, em excelente posição, rematou fraco para as mãos do guardião açoriano.
A meio do primeiro tempo, chegou-se a gritar golo nas bancadas do Magalhães Pessoa, mas o cabeceamento de Benny caiu a centímetros do poste na sequência de um livre batido para a área.
Já referimos que a UD Leiria fartou-se de falhar golos? Então aqui vai mais uma: após um remate que tabelou num adversário a bola sobrou para o segundo poste onde apareceu Gonçalo Gregório, mas o avançado fez o mais difícil ao acertar nas malhas laterais.
O golo adivinhava-se e ele chegou mesmo… mas na baliza contrária. Na sequência de um livre batido por Rafael Ramos na esquerda do ataque, Gonçalo Gregório ‘penteou’ a bola para a sua própria baliza. Ou seja, sem terem feito um único remate à baliza de Bozinoski, os açorianos venciam por 0-1.
Até ao intervalo, a UD Leiria voltou a mostrar algum inconformismo no sentido de chegar ao golo, mas o último reduto açoriano mostrou-se intransponível.
A segunda parte foi bem diferente já que o Santa Clara, agora com a lição bem estudada, fechava todos os caminhos para a sua baliza e conseguia ‘respirar’ com bola, encetando algumas incursões ofensivas que colocavam a defensiva leiriense em sentido.
Assim, depois de o Santa Clara ter visto um golo anulado por fora-de-jogo, destaque para um canto desviado ao primeiro poste, com a bola a passar muito perto do poste. Foi neste período de menos fulgor leiriense que os açorianos sentenciaram a partida, novamente na sequência de um livre. À entrada da área, Lincoln encheu-se de fé e contou com um desvio na barreira para enganar Bozinoski.
A partir daqui a UD Leiria voltou a tomar conta do jogo, mas só por uma vez ficou perto de marcar após boa jogada de envolvimento em que a bola chegou a Nuninho, mas o avançado, com tudo para fazer o golo, acertou mal na bola e atirou muito por cima, para desespero dos milhares de adeptos unionistas presentes na bancada, que não se cansaram de apoiar a equipa durante toda a partida.
Até ao final, o Santa Clara foi gerindo as ofensivas leirienses, carimbando a passagem à próxima fase da prova ‘rainha’ do futebol português, num jogo com arbitragem razoável de Manuel Mota, sem influência no resultado.|

UD Leiria 0
Tomás Bozinoski, Sylla, Benny (Leandro Antunes, 71’), Diego Galo (c), Filipe Almeida, Kaká (Renato Alexandre, 82’), Babanco (Paulinho, 63’), Ragner Paula, Marcos Silva (Afonso Caetano, 71’), Jair Silva (Nuninho, 63’), Gonçalo Gregório.
Não jogaram: Fábio Ferreira e João Dias.
Treinador: Filipe Cândido.

CD Santa Clara 2
Marco Pereira, Rafael Ramos, Boateng (Tassano, 60’), João Afonso, Mansur, Anderson Carvalho (c), Nené (Allano, 82’), Jean Patric (Júlio Romão, 82’), Ricardinho, Lincoln, Luiz Phillype (Bouldini, 68’).
Não jogaram: Ricardo Fernandes, Rui Costa e Sagna.
Treinador: Tiago Sousa.

Estádio Dr. Magalhães Pessoa, Leiria
Árbitro: Manuel Mota. Assistentes: Jorge Fernandes e Nuno Eiras.
Ao intervalo: 0-1.
Espectadores: 2000.
Golos: 0-1 Gonçalo Gregório (37’, p.b.), 0-2 Lincoln (61’).
Disciplina: Amarelo a Ragner Paula (60’), Sylla (81’), Anderson Carvalho (90+3’).

Texto: José Roque – Diáiro de Leiria
Foto: Luis Filipe Coito