Quando se pensava que já se tinha visto de tudo no futebol distrital, eis que a 27.ª jornada da Divisão de Honra de Leiria, realizada no passado domingo, nos trouxe um novo capítulo no mínimo rocambolesco.
Tudo aconteceu a dez minutos do final da partida entre o Vieirense e o Mirense, quando alguns jogadores de Mira de Aire, sentindo-se injustiçados pelas decisões da equipa de arbitragem que já tinha expulsado dois dos seus elementos, decidiram sentar-se no chão, alegando estarem lesionados, o que levou o árbitro Leandro Pereira a dar por concluída a partida, aos 80 minutos, por o Mirense não ter jogadores em campo suficientes (7) para dar continuidade à partida.
Contactado pelo Diário de Leiria, o presidente do Mirense mostrou-se solidário para com os seus jogadores, e aponta baterias ao árbitro e ao treinador adversário. “Os jogadores não abandonaram o jogo. Eles, se calhar, sentiram lesionados fisicamente e psicologicamente porque sentiram que se continuassem a jogar era expulso o cão, o roupeiro e o massagista”, começou por dizer António Lima.
O clima de maior crispação dentro do relvado começou aquando da expulsão de Luís Duarte, com vermelho directo, o que criou um sentimento de “revolta” no jogador que, por momentos, se recusou a sair do campo.
“Na primeira expulsão não houve agressão nenhuma. Eu próprio falei no final do jogo com o Tiago Costa [jogador alegadamente agredido] e ele confirmou que não houve agressão nenhuma. É normal que o nosso jogador quisesse bater em toda a gente porque sentiu-se injustiçado, como já aconteceu num passado recente”, disse.
António Lima apontou ainda o dedo ao treinador do Vieirense, acusando-o de ter ofendido elementos do público e os jogadores do Mirense, para além de ter influenciado as decisões do árbitro. “O treinador deles andou o jogo todo a provocar os nossos jogadores, a fazer piretes para a bancada e disse a uma mulher para ela ir lavar tachos em casa. Além disso, esteve sempre a pressionar o árbitro que foi uma marioneta nas mãos dele. É claro que tudo isto gera uma revolta muito grande”, vincou.
O responsável disse ainda ter solicitado uma reunião com o Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol de Leiria porque o Mirense é “um clube digno, com história e que merece ser respeitado”.
Quem também não calou a revolta foi o treinador do Mirense que, através de uma publicação nas suas redes sociais, deu azo ao seu descontentamento para com a arbitragem.
“Hoje assisti a mais uma vergonha no futebol distrital. Sou um treinador humilde, que defende os seus jogadores sempre, e hoje [domingo] alguém tentou de tudo para nos prejudicar. Foi uma vergonha. Está mais que na hora desta rapaziada do apito se focar que, por vezes, brincam com o nosso trabalho semanal. Nós somos humanos, somos de carne e osso, não somos máquinas e não temos que comer e calar. Exijo respeito, pois eu respeito quem anda lá”, começou por dizer Miguel Pinto.
O técnico do Mirense acusa ainda o seu colega do Vieirense de “agredir verbalmente” os seus jogadores e de “enxovalhar pessoas do público”.
Do lado do Vieirense, o técnico recusa todas as acusações, adiantando mesmo ter estranhado a forma como o jogo “descambou”.

Luciano refuta acusações
“É tudo mentira. O jogo correu sempre de forma pacífica da minha parte. Eu nunca ofendi nenhum jogador do Mirense, nem exerci qualquer tipo de pressão junto do árbitro. Tudo isso é possível ver no vídeo do jogo. A única situação que é verdadeira é quando eu me dirigi a uma senhora que esteve todo o jogo a ofender- -me da bancada e a chamar- -me tudo o que se possa imaginar, e disse para ela ir lavar pratos. É algo em que eu estive mal e lamento. De resto, sou completamente alheio ao que aconteceu depois dentro do campo e ao facto de os jogadores do Mirense terem abandonado o jogo”, explicou Luciano Silva.
O treinador do Vieirense diz nunca ter visto nada assim na sua carreira e assegura que as circunstâncias do jogo não faziam prever aquele desfecho, ainda para mais quando falamos de um jogo entre duas equipas já com os seus objectivos atingidos.|

Texto: José Roque – Diário de Leiria